Quem nunca olhou para o rosto de um outro olhar, amando,
E não sabe o que é viver derretendo o coração em lume brando,
Sentindo sem sentir, afagando sem tocar, desmaiando sem cair.
Não pode dizer que viveu plenamente.
Quem nunca num sorriso não encontrou o paraíso desejado,
Nem num simples aceno se sentiu herói condecorado,
E não soube o que é viver um amor que teima em lhe fugir.
Não poderá jamais afirmar que viveu plenamente.
Quem não sabe o valor de pequenos nadas e histórias de fadas,
Que são os seus próprios sonhos durante horas passadas,
Esperando ver, quem se esconde porque adivinha a espera.
Não pode jurar que viveu plenamente.
Quem não sentiu a tortura de uma cortina que se afasta,
Um rosto que fugazmente se mostra e a mão que se arrasta,
No vidro teimosamente embaciado que esconde quem era.
Não pode contar que já viveu plenamente.
Quem não sentiu também o medo frio que lhe assalta a alma,
Quando tenta falar ao ser amado sem a desejada calma,
Só conseguindo balbuciar incoerências que mais parecem ais.
Não pode contestar que não viveu plenamente.
Quem em puro e doloroso desespero nervosamente sentido,
Não conheceu o sabor amargo de julgar o amor perdido,
Porque perdeu tontamente a oportunidade que não terá jamais.
Não deve afirmar que viveu plenamente.
Pois não teve a juvenil paixão de adolescente,
E passou de criança inocente,
A cinzenta e triste gente.

Nenhum comentário:
Postar um comentário